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O Sporting da Covilhã é Campeão da II Divisão Nacional

Na senda dos continuados triunfos como campeão do distrito de Castelo Branco e da província da Beira Baixa, o Sporting da Covilhã chega
à época 1947/48 e contrata o treinador Janos Szabo que dá o impulso final para a meta há muito almejada.

Preside à Direcção do clube serrano o industrial e antigo atleta do S.C.C., já conhecido, Ernesto Cruz, conjuntamente com uma comissão de associados, de grande dedicação.

Após ir vencendo quase todos os encontros disputados, os Leões da Serra chegaram ao final da época e sagraram-se campeões nacionais da II Divisão nacional e, consequentemente, com acesso directo à I Divisão Nacional, por direito próprio.

Já se podia orgulhar de haver ganho todas as épocas o título de campeão distrital, ser campeão da província da Beira Baixa, de 1938 a 1941 e representante do distrito no campeonato nacional da II divisão, de 1941 a 1945 e 1946 a 1948.

O capitão do S.C.C., Pedro Costa, em entrevista ao extinto jornal “Stadium” dizia que já estava cansado de ser tantos anos campeão do distrito e da província.

Mas vejamos o palmarés do S.C.C. em 1947/48:

Na Covilhã, em 24/09/47, ganha por 6-3 ao Clube Desportivo Giosvim, de Salamanca; em 28/03/47, empata 1-1 com a Associação de Coimbra; em 05/10/47, para a “Taça Associação”, ganha por 8-0 ao Grupo Desportivo Covilhanense.

Em Castelo Branco, no dia 12/10/47, perde por 3-0 com o Sport Lisboa e Castelo Branco.

Em Viseu, no dia 19/10/47, ganha por 3-2 ao Académico de Viseu.

A disputa do campeonato da II divisão nessa longínqua época de 1947/48, envolveu 32 clubes, repartidos em duas zonas (Norte e Sul) e estas subdivididas em “poules” a duas voltas. Isto implicava que o clube que viesse a ser campeão e garantir, assim, o ingresso na I divisão, tinha que disputar, no mínimo, 26 jogos.

Para esta autêntica maratona, o S.C.C. dispôs desta equipa- base: Ramalhoso e Esteves; Craveiro, Pedro Costa e Franklim; Szabo, Leopoldo e Fialho; Carlos Ferreira, Teixeira da Silva, José Pedro, Roqui e Livramento. Mas também foram utilizados o guarda- redes Júlio e os médios Fonseca da Silva e Simões. Era enfermeiro massagista Manuel Joaquim Machado.

Como também já vimos, a turma serrana foi treinada pelo húngaro Janos Szabo, que também exerceu funções de jogador, vindo do Famalicão para a Covilhã, em Agosto de 1947.

Na liderança da equipa directiva encontrava-se, como também já referimos, o saudoso Ernesto Cruz, figura extraordinária de covilhanense e desportista.

A primeira fase envolveu na Zona Norte os seguintes clubes: Sporting Clube da Covilhã, União de Coimbra, Leões de Santarém, Naval 1.º de Maio, de Alcobaça e Sport Lisboa e Viseu.

Foi vencedor o Sporting Clube da Covilhã, com o brilhante palmarés de 13 vitórias, 1 derrota, com 73 golos marcados e 12 sofridos, totalizando 26 pontos.

Na segunda fase, estiveram as equipas do Sporting Clube da Covilhã, União de Coimbra, Famalicão e Leixões, que ardorosamente disputaram entre si, e também a duas voltas, a qualificação para a fase final.

Também os covilhanenses conquistaram o 1.º lugar, somando 4 vitórias e 2 derrotas, marcando 19 golos e sofrendo 14, obtendo 8 pontos.

Na derradeira fase final, igualmente disputada a duas voltas, estiveram os quatro clubes apurados nas duas zonas iniciais, a saber: Sporting Clube da Covilhã e F.C.Famalicão, pela zona norte; e Barreirense e Desportivo da CUF, pela zona sul.

Foram seis jornadas de grande luta e emoção, que todos os covilhanenses viveram com expectativa cada vez mais redobrada, que durou até ao apito final do último jogo, com o Barreirense no Estádio Santos Pinto, precisamente em 30 de Maio de 1948.

Neste dia inesquecível, a cidade da Covilhã e o seu Sporting viram-se, finalmente, projectados para a ribalta do futebol português.

Do Barreiro veio um comboio especial com largas centenas de adeptos. Nervos e emoção transbordantes e permanentes até ao derradeiro minuto.

Para ser campeão bastava ao Sporting da Covilhã o empate que haveria de verificar-se.

Grande susto para as hostes leoninas e, paradoxalmente, enormes gritos de alegria para os barreirenses quando estes inauguraram o marcador.

No entanto, com indómita vontade de vencer o encontro, e no desejo que não se repetisse o desfecho final de há uma década atrás, os jogadores covilhanenses empenharam-se de tal forma que, passados alguns minutos, fazem entrar a bola nas redes do guarda- redes barreirense. Era o golo de ouro do Sp. da Covilhã.

Quem foi o autor do golo do Covilhã? Foi Carlos Ferreira? Foi Roqui? A bola esteve por duas vezes dentro da baliza do Barreirense, no decorrer do mesmo lance.

O árbitro lisboeta, dá o apito final e é o delírio. O SPORTING CLUBE DA COVILHÃ É INCONTESTAVELMENTE CAMPEÃO NACIONAL DA II DIVISÃO.

 

in "Sporting Clube da Covilhã - Passado e Presente", João Jesus Nunes.